No mundo do jogo de vantagem nos casinos, John Chang é uma lenda. Os fãs sérios de blackjack sabem quem ele é e conhecem bem o seu lugar no panteão do pano verde.
Ele geriu a temível equipa de blackjack do MIT, é membro do Blackjack Hall of Fame (visite-o um dia destes no Barona Resort & Casino, perto de San Diego, Califórnia) e continua a reinar como figura veterana do jogo.
Conhecido, Quer Queira Quer Não
Mesmo aqueles que pensam não saber muito sobre ele, é muito provável que saibam. Chang serviu de inspiração para a personagem Mickey Rosa, interpretada por Kevin Spacey no clássico do cinema sobre blackjack, 21. O filme baseou-se no excelente livro "Bringing Down the House", de Ben Mezrich.
Há alguns anos, por ocasião do lançamento do filme, quando Chang competiu nas World Series of Blackjack, usou um disfarce e jogou atrevidamente sob o pseudónimo de Mickey Rosa.
Não importa que Chang tenha demonstrado o seu lado teimoso e a confiança em si próprio ao se recusar a vender os seus direitos de biografia aos produtores de 21. Isso também é indicativo do seu forte desejo de permanecer anónimo, o que se tornou cada vez mais difícil ao longo dos anos.
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Tomando Medidas Drásticas
A dada altura, durante o auge dos seus dias como jogador, para se manter na ação e não ser expulso do casino, Chang recorreu ao transformismo, vestindo-se de mulher. Durante algum tempo, conseguiu fazê-lo com sucesso.
"Vestir-me de mulher funcionou, na verdade, nas Bahamas e em Illinois", disse-me ele no meu livro Advantage Players. "Mas no Taj Mahal [um dos casinos de Donald Trump, agora extinto], eles estavam a olhar para as minhas mãos. Um anfitrião Asiático aproximou-se e sussurrou-me ao ouvido: 'Nós sabemos quem você é.'"
Logo a seguir, Chang saiu a correr (e de saltos altos) para evitar ser formalmente expulso do casino.

Mas Nem Sempre Foi Assim
No final dos anos 70, Chang era um estudante comum no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Frequentou uma aula onde aprendeu a contar cartas no blackjack. Mas era um universitário falido e carecia da banca necessária para capitalizar esta estratégia de blackjack.
Depois, viu um cartaz escrito à mão afixado no campus. Prometia a oportunidade de ganhar 300 dólares durante as férias ao jogar numa equipa de contagem de cartas. Não era necessária qualquer banca.
Chang inscreveu-se, enfiou-se num carro com outros quatro estudantes do MIT e seguiu para Atlantic City. Após ganhar experiência, começou a jogar por somas avultadas.
Tal como Chang relatou ao Blackjack Advisor, o seu primeiro prémio decente numa única mão aconteceu em Las Vegas.
"Apostei 1.600 dólares no Desert Inn [o casino foi entretanto demolido e o Wynn Las Vegas ergue-se onde este costumava estar] e fiz split de 10s contra um 6", recordou ele.
"No DI, era permitido fazer split de 10s mais do que uma vez", e ele fê-lo. "O gerente do casino aproximou-se para observar. Ele estava a rir-se à gargalhada porque este miúdo Chinês idiota estava a fazer split de 10s." Claro que Chang fê-lo por uma boa razão: com uma true count acima de cinco, essa é a jogada certa contra um 6. "O dealer rebentou e o gerente do casino deu-me o seu cartão."
As Vitórias Acumularam-se
Esse foi um bom começo para Chang, mas as técnicas tornaram-se mais complexas e os lucros foram-se acumulando. Como o génio do blackjack me contou, houve uma altura em que ele e um membro da equipa estavam a jogar em Atlantic City, utilizando uma estratégia avançada que lhes permitia prever as cartas que vinham a seguir.
Numa viagem anterior, o seu colega de equipa tinha feito uma dobra com sucesso num 18, quando sabia que vinha aí um 3. Nesta ocasião, Chang, jogando duas mãos, recebeu um 19 e um 11.
Devido à manobra que estavam a usar, ele sabia que as próximas duas cartas seriam um 2 e um 10, por essa ordem. Perguntou ao colega de equipa o que achava de dobrar com 19. Ambos concordaram que era o que devia ser feito. Chang fê-lo, recebeu o seu 2 e o seu 10, e foi recompensado com um monte de fichas.
"Eu disse algo como: 'Vamos sair daqui antes que sejamos presos'", relembrou Chang.
Embora estivesse meio a brincar (a dupla não corria riscos legais, embora dobrar com 19 parecesse definitivamente suspeito) dar o fora foi provavelmente uma boa ideia.
"Foi 10 anos depois dessa jogada", continuou Chang. "Eu não ia a Atlantic City há cinco anos e pensei que ninguém me reconheceria. Sentei-me numa mesa com um mínimo de 100 dólares num outro casino.
Após ser jogado um baralho, colocaram um sinal a dizer que a minha aposta máxima era 100 dólares e a minha aposta mínima era 100 dólares" – por outras palavras, ele não podia variar as suas apostas, o que é necessário se você quiser ganhar dinheiro a contar cartas. "Depois, o chefe de sala apareceu e começou a conversar comigo. Ele disse: 'É verdade que você dobrou com um hard 19?'"
Surpreendido por alguém se lembrar da jogada após tantos anos, Chang admitiu: "Suponho que existam limites para a agressividade."

Uma Visão Distorcida do Dinheiro
Hoje em dia, Chang e a sua esposa, Laurie, também uma jogadora de vantagem, ainda frequentam os jogos quando podem. Embora ele provavelmente pense duas vezes antes de dobrar com 19, mesmo sabendo que vem aí um 2, o blackjack continua a ser um empreendimento lucrativo quando se joga à maneira de Chang.
Durante os anos do MIT, as vitórias de Chang e dos seus colegas de equipa foram consideráveis. Elas fizeram com que ele passasse a ver o dinheiro de uma forma relativamente casual, quando tudo parecia tão fácil.
Como prova disso, Laurie contou-me o que aconteceu, há anos, antes de serem casados, quando o estava a ajudar a organizar-se para uma mudança de casa.
Ao mexer em frascos de vidro e caixas de arrumação, encontrou mais de 100 mil dólares em fichas espalhadas aleatoriamente pela casa de Chang. Quando ela expressou incredulidade perante aqueles "trocos", Chang nem pestanejou. Encolheu os ombros e disse-lhe: "Bem me parecia que tinha os bolsos um bocado leves".
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